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Comunidades Pesqueiras da Costa das Baleias enfrentam os impactos do desastre ambiental de Mariana–MG

Foto: Elizanio Belo

// Carolina Rosa – Redação FM News

O rompimento da barragem ocorrido no dia 5 de novembro de 2015 continua a impactar diretamente a vida dos moradores de várias comunidades da região de Mucuri, localizada na divisa entre Minas Gerais e o Espírito Santo. Embora o desastre tenha ocorrido há quase uma década, os efeitos devastadores dos rejeitos de minério de ferro ainda são sentidos intensamente pela população local, afetando tanto o meio ambiente quanto a subsistência de famílias que dependem dos recursos naturais.

Impactos no Meio Ambiente e na Fauna Marinha

Desde 2016, habitantes de Mucuri e áreas próximas, como Mucuri, Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça e Prado, reportam que o ecossistema marinho da região tem sofrido severas alterações. Espécies de peixes e tartarugas, que antes eram abundantes, começaram a desaparecer, e os que ainda são encontrados apresentam sinais de doenças, como tumores, que os pescadores locais acreditam ser consequência da contaminação provocada pelos rejeitos. “Nosso pescado sumiu, vários peixes com câncer, a tartaruga também com câncer”, relatou Wilson, pescador e presidente da colônia z-35, em uma reunião realizada recentemente em Nova Viçosa.

Caminho dos Rejeitos e Contaminação da Região

Os rejeitos da barragem chegaram até o Arquipélago de Abrolhos, passando por toda a extensão marinha entre Mucuri e Conceição da Barra, no Espírito Santo. De acordo com estudos apresentados pelo Comitê de Monitoramento da Bacia do Rio Doce (CMBIL), é evidente que a poluição marinha se propagou pelas áreas costeiras da região, atravessando o fundo do mar e se infiltrando nas correntes marinhas. “Se os rejeitos chegaram até Abrolhos, é sinal de que passaram por nossa região, porque Mucuri é uma área limítrofe com o Espírito Santo”, afirmou Wilson.

Dependência de Ações Governamentais e de Agências Ambientais

Apesar das evidências e dos danos contínuos, as comunidades locais ainda aguardam uma resposta concreta e ações efetivas de órgãos governamentais como o Ibama e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Embora o CMBIL tenha reconhecido o impacto ambiental e socioeconômico, os moradores dependem de apoio governamental para que medidas de mitigação e recuperação sejam efetivamente implementadas.

Moradores e representantes locais também apelam ao governador e aos prefeitos das cidades afetadas, solicitando suporte e apoio para as ações de recuperação ambiental e para assegurar a proteção dos meios de subsistência das comunidades costeiras. “Nós contamos com o apoio dos governos para dar esse suporte necessário e ajudar a impulsionar as ações”, destacou um dos participantes da reunião.

Esperança de Resolução e Pedido de Solidariedade

O apelo das comunidades afetadas é de que haja mobilização por parte das autoridades, para que ações concretas sejam tomadas. O pedido, que ecoa desde o rompimento da barragem em 2015, busca garantir a sobrevivência e a qualidade de vida dos moradores que, até hoje, sofrem com os efeitos do desastre ambiental.

“Fica o CMBIL mostrando que estamos impactados, mas ainda faltam manifestações e ações concretas dos outros órgãos. Precisamos desse apoio, esse empurrão para resolver essa situação”, reforçou a liderança, evidenciando a urgência de um esforço conjunto para a recuperação e preservação da área afetada.

As comunidades aguardam, esperançosas, que suas vozes sejam ouvidas e que a ajuda necessária não demore a chegar, para poderem reconstruir suas vidas e restaurar o equilíbrio ecológico da região.