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Ex auditor da Mafia do ISS é preso em Mucuri

” Augusto participativa ativamente da criação dos filhos, frequentava a igreja católica e atuava como autônomo”

Arnaldo Augusto Pereira residia no município de Mucuri desde o ano de 2021, atuava como autônomo e participava diretamente da criação dos filhos, pai responsável, morador prestativo e bem quisto pela comunidade, porém no dia 15 de outubro em uma operação formada pela Gaeco de São Paulo, Ministério Publico de São Paulo e da Bahia, bem como com as inteligências das Polícias Militares e Civil dos Estados envolvidos Arnaldo Augusto foi preso em sua residência e levado para o estado de São Paulo.

A prisão decorreu de trabalho de inteligência e investigação que identificou indícios de que Arnaldo estava vivendo no município de Mucuri , após ter forjado a própria morte. Documentos e levantamentos juntados ao procedimento apontaram que, embora constasse certidão de óbito com data de 10 de julho de 2025, elementos contraditórios sustentam a prática de fraude documentária e ocultação de identidade.

Segundo relatório de investigação do Gedec (MPSP), Arnaldo já havia sido preso em operações anteriores relacionadas a esquemas de corrupção que movimentaram valores expressivos. Consta nos autos que o investigado foi implicado em prisões ocorridas em 2019 e 2021 e condenado em processos que apuraram desvios na ordem de milhões de reais, sendo um dos casos com movimentação superior a R$ 500 milhões. Em 2023, houve nova condenação que resultou em regime de pena diverso do já apurado, e, em julho de 2025, foi juntado aos registros um atestado de óbito cuja veracidade passou a ser contestada pelas equipes de inteligência.

O trabalho de localização envolveu as agências de inteligência com cruzamento de informações em bases policiais estaduais e federais. A operação contou ainda com carta de colaboração e troca de informações com o Gaeco de São Paulo, bem como com as inteligências das Polícias Militares dos Estados envolvidos.

A mafia do ISS

O esquema envolveu 410 empreendimentos, entre construtoras, shoppings e até hospitais. A fraude ocorria no momento do recolhimento do ISS, calculado sobre o custo total da obra. O recolhimento é condição necessária para que o empreendedor obtenha o “Habite-se” e a construção possa ser ocupada.

Para construir um prédio, as incorporadoras e construtoras estabelecem um modelo de organização social conhecido como Sociedade de Propósito Específico (SPE). Cada empresa ou incorporadora pode ter vários SPEs. Próximo ao término da obra, é necessário fazer o recolhimento do ISS e obter a certidão de quitação do imposto. 

No esquema, os auditores fiscais emitiam as guias do recolhimento do ISS com valores muito inferiores ao exigido e cobravam das empresas ou dos incorporadores o depósito de altos valores, geralmente em espécie, em suas contas bancárias. Sem esse “pagamento” em suas contas pessoais ou no de suas próprias empresas, os certificados de quitação do ISS não eram emitidos e o empreendimento não era liberado para ocupação.

Certidão de Óbito

 A morte teria ocorrido no bairro da Liberdade, em Salvador — a mais de 900 km de onde o procurado morava com a família —, e o corpo teria sido sepultado no município de Cachoeira, no Recôncavo baiano.O documento tem a assinatura de um médico baiano e é registrado em um cartório de Salvador. Ele foi anexado ao processo por uma pessoa sem vínculo familiar com Arnaldo.

Ele afirmou em entrevista que a ação foi um ato de desespero para que pudesse acompanhar a criação dos filhos.

Informações Ministério Publico da Bahia, Agência Brasil e G1

Foto: Reprodução TV Globo

Redação FM NEWS