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Brasil tem 6 milhões a mais de mulheres, homens são maioria em apenas dois Estados

Segundo números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), existem 92 homens para cada 100 mulheres no país

Os números não mentem jamais: o Brasil é um país de mulheres. Os novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, divulgados pelo IBGE confirmam um desequilíbrio de gênero no país: para cada 100 brasileiras, existem apenas 92 brasileiros. E quanto mais a idade avança, maior o abismo. No Rio de Janeiro, entre os idosos, a diferença é de 70 homens a cada 100 mulheres; em São Paulo, são 77 para 100.

O Censo de 2022 já havia registrado cerca de 6 milhões de mulheres a mais: eram 104,5 milhões contra 98,5 milhões de homens. A explicação, segundo especialistas, envolve fatores como violência urbana, acidentes de trânsito e a maior preocupação das mulheres com a saúde. Esses elementos ajudam a encurtar a vida dos homens e a prolongar a das mulheres, que vivem mais e, em geral, com melhor qualidade.

Uma lógica que se inverte
No começo da vida, a vantagem numérica é masculina. Globalmente, nascem de 3% a 5% mais meninos do que meninas, padrão que também se repete aqui. Mas a virada vem cedo: a partir dos 24 anos, a mortalidade masculina, puxada por causas violentas, faz com que as mulheres passem a ser maioria. Aos 60, a diferença já salta aos olhos.

O envelhecimento da população brasileira e a redução do número de nascimentos tornam a diferença entre os sexos ainda mais visível. “Nascem mais homens do que mulheres, mas eles tendem a morrer mais cedo, sobretudo por mortes violentas e acidentes”, explicou William Kratochwill, analista do IBGE. “As mulheres, por outro lado, se cuidam mais e vivem mais.”

Os pontos fora da curva
Nem todo mapa é uniforme. Tocantins registra 105,5 homens para cada 100 mulheres. Santa Catarina também foge à regra, com leve maioria masculina (100,9). Atividades como mineração e agronegócio ajudam a explicar essas exceções.

O que isso significa para a sociedade
Se o desequilíbrio não é novidade, os efeitos sociais continuam em debate. Para o professor Paul Dolan, da London School of Economics, o dado pode até ser visto com otimismo pelas mulheres: “As solteiras e sem filhos tendem a ser mais felizes e saudáveis do que as casadas”, afirma. Segundo ele, o casamento beneficia mais os homens, que passam a se cuidar melhor e recebem apoio emocional, enquanto as mulheres acabam sobrecarregadas por múltiplas responsabilidades.

Fonte: Estadão Conteúdo