Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada nesta sexta-feira (13) pelo IBGE e compilada pelo OBSERVATÓRIO FINDES, revelam ainda que o desempenho da indústria capixaba foi muito acima ao registrado pelo país (+0,2%) em janeiro. O resultado positivo do Estado foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que avançou 21,2% no período, com destaque para o aumento da produção de gás natural em janeiro (+16,4%).
A indústria de transformação também contribuiu crescendo 2,3%. O resultado puxado pela metalurgia, que teve alta de 13% na sua produção, sendo esse o maior crescimento desde março de 2022, e pela fabricação de produtos de minerais não metálicos (+8,7%).
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, o primeiro resultado da produção industrial do ano mostra que a indústria capixaba mantém o ritmo de crescimento. “O Espírito Santo encerrou 2025 na liderança dos estados com a maior produção industrial do país e começa 2026 mantendo essa expansão. Vale destacar o crescimento da indústria extrativa, que tem um papel estratégico nesse desempenho e foi determinante para os bons números do Espírito Santo no ano passado.”
Ainda de acordo com o presidente, também é preciso destacar o crescimento da indústria de transformação. “Esse é um segmento muito importante para o Estado, porque mostra que, além de produzirmos, estamos entregando produtos com maior valor agregado.”, afirma o presidente.
No ranking nacional da produção industrial em janeiro de 2026, os cinco estados com maior crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior foram:
- 1. Pernambuco (+27,7%)
- 2. Espírito Santo (+14,5%)
- 3. Mato Grosso do Sul (+8,7%)
- 4. Maranhão (+6,2%)
- 5. Rio de Janeiro (+5,6%)
Produção de gás natural é destaque na indústria extrativa
Entre as atividades do setor, a produção de gás natural se destacou, alcançando 4,4 milhões de metros cúbicos por dia, um aumento de 16,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
Já a produção de petróleo no Espírito Santo foi de 159 mil barris por dia em janeiro, o que representa uma queda de 5,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“Em dezembro houve uma parada operacional do navio-plataforma Maria Quitéria, que opera na Bacia de Campos, litoral sul capixaba, o que impactou temporariamente a produção de petróleo. Ainda assim, aconteceu um aumento significativo na produção de gás natural por outras plataformas, o que contribuiu para manter o bom desempenho da indústria extrativa no Espírito Santo”, explica o gerente de Ambiente de Negócios do OBSERVATÓRIO FINDES, Nathan Diirr.
Mesmo sem a produção do FPSO Maria Quitéria, o campo de Jubarte, operado pela Petrobras, registrou aumento de 6,6% na comparação interanual, impulsionado pela maior produção da plataforma P-58 (+41,2%) e do FPSO Cidade de Anchieta (+13,5%).
Metalurgia impulsiona indústria de transformação
A metalurgia foi o principal destaque da indústria de transformação em janeiro, registrando crescimento de 13% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em termos de nível de produção, o resultado representa o maior patamar registrado desde março de 2022. O avanço do setor foi impulsionado pela maior produção de ferro-gusa, bobinas a quente de aço e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço.
Para a economista economista-chefe da FINDES e gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva, o resultado reflete um movimento de recomposição da demanda e de dinamismo do comércio exterior do setor: “Esse desempenho da metalurgia pode estar associado a estratégias operacionais das empresas instaladas no Estado, como recomposição de estoques e aumento de pedidos, tanto no mercado interno quanto no externo. Um indicativo desse movimento é o crescimento das exportações do setor capixaba no início do ano.”
Dados do comércio exterior mostram que as exportações da metalurgia capixaba cresceram 24,2% em valor e 42,4% em volume no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Cenário econômico
Ao mesmo tempo em que o início de 2026 foi marcado por um cenário econômico que combina sinais positivos no mercado de trabalho e inflação em trajetória de desaceleração, o ambiente internacional segue cercado de incertezas. Um ponto de atenção para os próximos meses, de acordo com Marília, é o cenário internacional.
“Antes mesmo do acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio em março, o ambiente global já era marcado por incertezas, especialmente relacionadas às disputas comerciais e à volatilidade nos mercados de commodities, entre elas o petróleo e de capitais”.
Baraona, complementa que, de forma geral, o cenário de conflito pode acarretar, além da alta do preço do petróleo, aumento de custos sobre o frete internacional das diversas cargas que o Espírito Santo exporta, bem como daquelas destinadas ao nosso mercado importador. “Estes custos repassados pelas companhias marítimas aos importadores e exportadores tendem a ser transferidos para os produtos comercializados. Para as importações, isso significa insumos e produtos mais caros no mercado nacional. Já para as exportações, pode impactar na competitividade dos nossos produtos no mercado externo”, comenta o presidente da FINDES.
Redação Noticia do ES




