Nova espécie de joaninha foi encontrada nas Dunas do São Francisco, situadas entre os municípios de Casa Nova e Pilão Arcado, na região norte da Bahia
Por Giovanna Gomes
Cientistas do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco, anunciaram a descoberta de uma nova espécie de joaninha, denominada Mada gregaria. Este pequeno inseto foi encontrado nas Dunas do São Francisco, situadas entre os municípios de Casa Nova e Pilão Arcado, na região norte da Bahia.
A descrição formal da espécie e suas características biológicas foram publicadas no periódico científico Annales de la Société entomologique de France. O achado marca a primeira ocorrência do gênero Mada na Caatinga.
A joaninha Mada gregaria distingue-se por seu corpo oval e coloração amarelada, apresentando uma ausência das pintinhas típicas que caracterizam outras espécies mais conhecidas. Os cientistas identificaram margens laterais mais claras como uma particularidade que a diferencia dentro do grupo a que pertence. Além disso, os machos possuem características genitais específicas, essenciais para o diagnóstico taxonômico e diferenciação entre espécies semelhantes.
Particularidades da espécie
Segundo o portal Galileu, os pesquisadores também documentaram aspectos da reprodução e alimentação deste inseto, além de um comportamento que sugere uma estratégia de “dormência adaptada”, que permite aos indivíduos sobreviver em períodos de escassez de recursos.
Um aspecto
inovador da pesquisa é o registro inédito da associação entre a joaninha herbívora da tribo Epilachnini e uma planta da família Loganiaceae. Observou-se que a Mada gregaria utiliza a Strychnos rubiginosa, conhecida localmente como capitão ou bacupari, como planta hospedeira.
O professor Benoit Jean Bernard Jahyny, coautor do estudo, enfatiza a relevância desta descoberta: “Encontrar uma espécie nova já é algo relevante, mas poder registrar sua biologia, seu comportamento gregário e uma associação inédita com uma planta da família Loganiaceae amplia nossa compreensão das adaptações ecológicas desses insetos”. Ele ainda ressalta a importância das pesquisas de campo em ambientes semiáridos, onde existe um vasto patrimônio biológico ainda por ser explorado.
Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.
Mada gregaria – Crédito: Divulgação/Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)
Fonte: aventurasnahistoria.com.br




