Brinquedo, carga de aveia, marca de luxo e até nas unhas: os esconderijos de drogas e armas descobertos pela polícia no ES
Criminosos usam métodos ousados para tentar esconder drogas, armas e outros ilícitos das forças de segurança, mas acabam sendo descobertos. Veja casos relatados pelas polícias no Espírito Santo.
Criminosos estão ousando na maneira de esconder e transportar drogas e armas pelo Espírito Santo. Com objetivo de fugir das abordagens das polícias, eles usam brinquedos como pelúcias, carga de alimento e compressores, tentam disfarçar os ilícitos como produtos de marcas de luxo e colocam drogas até embaixo de unhas postiças de mulheres.
Apesar de inusitado, a polícia anda de olho nessa movimentação. Prova disso são as abordagens e descobertas feitas nos últimos meses em várias cidades do estado. Elas chamam a atenção pela ousadia, mas reforçam o papel das forças de segurança na hora de fiscalizar.
Em um desses casos, dois homens, de 24 e 29 anos, foram presos na BR-259, em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo. Os criminosos usavam uma pelúcia do personagem infantil para esconder e transportar 12 frascos de anabolizantes quando foram abordados por policiais do Grupo de Patrulhamento Tático da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Após análise do material, foi constatado que o produto era de origem paraguaia e não possuía registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Casos como o de Baixo Guandu ilustram como criminosos tentam usar de métodos “criativos” para tentar esconder drogas e armas. Mas nem assim o crime passa despercebido, e os bandidos acabam sendo flagrados pela polícia.
Em outra situação, um adolescente de 17 anos foi apreendido pela Polícia Militar, em Barra de São Francisco, no Noroeste do estado, com um urso de pelúcia onde escondia uma arma e munição.
Ao avistar os policiais, ele tentou fugir, jogou a pelúcia no mato, mas os agentes conseguirem recuperar o brinquedo – onde descobriram a arma – e apreenderam o menor. Nem sempre o uso de símbolos originais têm relação com as substâncias ilegais em que foram aplicados. E marcas de grifes escapam.
Os ilícitos também são escondidos por criminosos em embalagens de marcas de luxo, tentando se passar por outro tipo de produto. Um caso assim foi descoberto por agentes da PRF, que apreenderam cerca de 27 quilos de pasta base de cocaína, vindas do Paraguai, durante uma abordagem na BR-101, na Serra, Grande Vitória.
As embalagens da droga tinham a logo da marca francesa de luxo Louis Vuitton, mundialmente conhecida pelo refinamento e alto valor dos produtos, como bolsas e carteiras.
Em outro caso, 30 pinos de cocaína e também buchas de maconha foram encontrados por agentes da Guarda Municipal de Vila Velha dentro de um sapo de pelúcia, em uma casa no bairro Ibes. Uma mulher e dois homens que estava com as drogas foram detidos.
Outro método de criminosos é usar objetos que, à primeira vista, nem têm espaço para armazenamento e cujas funções nada têm a ver com transportes.
Durante uma abordagem no km 304 da BR-101, a PRF encontrou 9,3 kg de pasta base, duas armas de fogo, sendo um revólver calibre 44, uma pistola calibre 380 e mais dois carregadores de pistola em um compressor de ar.
Há também casos em que nenhum símbolo famoso é utilizado, mas o esconderijo é pensado para quantidades enormes de ilícitos. Em novembro de 2024, por exemplo, quase três toneladas de maconha foram encontradas em um teto falso de uma carreta, no bairro Jardim Tropical, na Serra.
Em abril de 2025, uma tonelada de maconha foi descoberta após uma carreta tombar na BR-262, em Marechal Floriano. A droga estava escondida no meio de uma carga de aveia e só foi descoberta por causa do acidente. Parte da droga chegou a ser saqueada por moradores da região.
Mas esse método de tentar burlar as forças de segurança e esconder drogas e armas vai além do que é encontrado circulando nas estradas. Nos presídios do Espírito Santo, visitantes também tentam driblar a vigilância ao esconder drogas em lugares improváveis, como fraldas, absorventes íntimos, mamadeiras e até em implantes capilares.
Segundo o secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, os métodos revelam uma ousadia extrema.
Além de utilizar parentes próximos, os criminosos muitas vezes se aproveitam de pessoas vulneráveis para tentar burlar a segurança.
Por Felipe Sena, g1 ES




