Um dos principais atrativos da costa do descobrimento, o Parque Marinho encanta pelo forte apelo à educação ambiental
Nem mesmo quem já conhece destinos famosos de piscinas naturais e recifes no Nordeste brasileiro consegue sair do Parque Marinho do Recife de Fora sem uma nova percepção sobre o mar. Em Porto Seguro, no sul da Bahia, a experiência vai além da beleza das águas cristalinas ou da enorme quantidade de peixes coloridos visíveis a poucos metros de profundidade. O que realmente diferencia o passeio é a forma como o turismo é conduzido: com forte apelo à educação ambiental.
A visita ao parque integrou a programação do II Encontro Nacional de Jornalistas e Comunicadores de Turismo, realizado pela Febtur.
Logo no embarque, ainda no píer, os visitantes começam a perceber que o Recife de Fora possui uma dinâmica diferente. As orientações não se resumem à segurança do passeio. Guias e monitores reforçam, durante todo o trajeto, os cuidados necessários para evitar impactos sobre os corais e sobre a fauna marinha.
A recomendação para não utilizar protetores solares convencionais, a proibição de alimentos na área dos recifes e o alerta constante para evitar qualquer toque nos organismos marinhos mostram que, ali, contemplação e preservação precisam caminhar juntas.
Criado em 1997, o Parque Marinho do Recife de Fora protege um dos ambientes marinhos mais importantes da costa brasileira, considerado o terceiro maior centro de biodiversidade marinha do país. Apenas uma pequena parte da área total dos recifes é liberada para visitação.
Quando a embarcação finalmente alcança as piscinas naturais formadas pela maré baixa, o cenário ajuda a explicar a rigidez das regras. Em águas praticamente imóveis, turistas flutuam sobre corais, cardumes e estrelas-do-mar em um ambiente que lembra um aquário natural em pleno oceano.
Entre os peixes mais vistos estão sargentos, peixes-cirurgião e pequenos cardumes que circulam sem demonstrar receio da presença humana. Em alguns pontos, é possível observar corais raros, incluindo espécies endêmicas do Brasil.
Mas o passeio também provoca outro tipo de reflexão. Mesmo acostumados a visitar áreas semelhantes em estados como Alagoas, Pernambuco ou Rio Grande do Norte, muitos participantes do encontro perceberam que cada ecossistema possui características próprias — tanto pela biodiversidade quanto pela relação construída entre turismo e conservação.
O passeio até o Recife de Fora dura cerca de quatro horas e depende da maré baixa, especialmente nos períodos de lua cheia e lua nova, quando as piscinas naturais ficam mais rasas e transparentes. Por isso, as saídas variam diariamente e precisam ser planejadas com antecedência. Durante aproximadamente duas horas de flutuação, muitos visitantes acabam reduzindo naturalmente o ritmo.
O passeio até o Recife de Fora dura cerca de quatro horas e depende da maré baixa, especialmente nos períodos de lua cheia e lua nova, quando as piscinas naturais ficam mais rasas e transparentes.
As conversas diminuem, os movimentos ficam mais lentos e o olhar passa a acompanhar detalhes que normalmente escapam em ambientes urbanos: o movimento dos peixes, a textura dos corais, o silêncio interrompido apenas pelo som da água.
Talvez por isso o Recife de Fora consiga provocar uma sensação rara em destinos turísticos muito visitados: mesmo diante de um cenário amplamente fotografado, ainda existe espaço para descobertas e encantamentos.
Por Maicom / ABC Repórter o Diário
Foto: Reprodução Internet




