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Manoel Horácio Dias, o “Tengo”: Uma vida dedicada à pesca e às águas de Mucuri e região

No mês que comemoramos o dia do Pescador, iremos compartilhar algumas trajetórias dobre os pescadores da nossa região, com o proposito de fortalecer e preservar a cultura pesqueira do nosso municipio.

Com 89 anos de idade e mais de sete décadas dedicadas à arte da pesca, Manoel Horácio Dias, conhecido popularmente como Tengo, é uma figura emblemática na tradição pesqueira local. Filho das águas, Tenho vive entre rios e mar desde a infância, tendo uma relação profunda com as águas doces e salgadas que moldaram sua trajetória.

Em entrevista ao Fala Pescador, Tengo relembra o início de sua paixão pela pesca nas águas do mar. “Eu aprendi a pescar no mar, aonde vou desde criança e lá passava dias pescando, sempre com uma turma de pescadores que iam no barco. Era muito cansativo ficar dias longe de casa e naquela época éramos mais vulneráveis ao tempo, mesmo assim eu sempre fui, porque gostava”, conta o pescador. A rotina exigia resistência e atenção constante, enfrentando os desafios das marés para garantir o sustento da família.

Com o avanço da idade, aos 61 anos, Tengo decidiu voltar suas atenções para o rio Mucuri, buscando segurança longe do alto mar. Hoje, ele se dedica exclusivamente à pesca nos braços desse rio, mantendo uma rotina rigorosa e marcada por respeito às tradições. “Hoje em dia eu vou pescar sozinho, então remo quatro horas sem parar até chegar no braço do rio que costumo pescar. No meu barco vão doze redes que voltam cheias e remo mais quatro horas para retornar para casa. Junto comigo trago a comida para os três dias e a vontade de trabalhar”, explica.

Apesar da modernidade e das facilidades tecnológicas disponíveis, Tengo mantém viva a técnica do remo, uma herança dos povos originários da região. Ele chegou a adquirir um motor “rabeta” para facilitar o trajeto, mas não se adaptou e voltou ao remo tradicional. Essa escolha revela seu respeito pelas práticas ancestrais e seu jeito simples de viver.

Para Tengo, a idade nunca foi um obstáculo para a dedicação ao trabalho. Muito pelo contrário, ele vê na pesca uma forma de manter-se ativo e com saúde. “Eu escuto muitas críticas por ser um homem que ainda vai pescar totalmente sozinho. Infelizmente, as pessoas acham que o idoso tem que ficar dentro de casa, praticamente esperando a morte vir nos buscar. Eu almoço e logo vou arrumar o que fazer, isso me mantém ativo e feliz!”, declara com convicção.

A história de Manoel Horácio Dias inspira não apenas os pescadores, mas toda a comunidade, mostrando que nem sempre a tecnologia substitui o valor das tradições e do esforço. O relato desse verdadeiro filho das águas é um tributo à cultura pesqueira local e um convite à valorização daqueles que mantêm vivas as raízes da região.

O Fala Pescador agradece ao senhor Tengo por compartilhar sua rica história e dedicação, lembrando a todos que o amor pelo ofício e a perseverança são os verdadeiros motores que movem a vida.

As informações e conteúdos gerados foram referentes ao quadro Fala Pescador que possui a empresa Suzano e o Grupo FM como apoiadores.

Por Natacha Nakamura

Reportagem Beto Ramos

Foto: Matheus Souza