Segundo a Polícia Civil, o caso mais recente ocorreu em maio e teve como vítima uma menina de 10 anos
Um homem de 47 anos, que se apresenta como produtor musical, foi preso preventivamente suspeito de abusar sexualmente de pelo menos quatro crianças na Serra, no Espírito Santo. A prisão ocorrreu no dia 1º, mas só foi divulgada pela Polícia Civil nesta terça-feira (7).
O caso mais recente ocorreu em maio e teve como vítima uma menina de 10 anos. Segundo a Polícia Civil, a criança mora com a mãe e o padrasto na casa do suspeito. Os familiares eram acolhidos pelo investigado e, em troca, prestavam auxílio devido a uma deficiência física que limita a mobilidade dele.
Segundo a delegada Thais Cruz, adjunta da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a vítima relatou que o investigado disse que queria levá-la para colher frutas, mas parou o carro em uma rua deserta durante o trajeto e a tocou nas partes íntimas.
Para escapar, a criança pegou o celular do suspeito e o arremessou contra ele para distraí-lo. Em seguida, fugiu. Segundo a vítima, o homem ainda ameaçou matar sua mãe caso ela contasse o que havia acontecido.
Após fugir, a menina pediu ajuda a dois homens que encontrou pelo caminho. Eles acionaram a Polícia Militar e permaneceram com a criança até a chegada da equipe. Enquanto aguardavam, o carro do suspeito passou pelo local e foi reconhecido pela vítima.
Durante a investigação, a mãe da menina contou que o investigado afirmou que a criança havia tido um surto e pulado do carro. Ela também relatou que a filha mencionou outro episódio de abuso uma semana antes, mas não acreditou porque considerava o homem trabalhador e sem histórico criminal aparente.
O investigado chegou a ser preso em flagrante naquele momento, mas a Justiça o concedeu liberdade provisória durante a audiência de custódia em razão da deficiência física e de outros problemas de saúde. Com o avanço das investigações, no entanto, a decisão foi revista e a prisão preventiva decretada.
Mais denúncias de crimes sexuais
Além desse caso, o homem é investigado por abusar sexualmente de outras três crianças na Serra. Os crimes seguem em apuração na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Segundo a investigação, todas as quatro denúncias apontam o mesmo modo de agir: o investigado se aproximava de famílias, principalmente de mães solteiras e em situação de vulnerabilidade financeira, para conquistar a confiança dos responsáveis e ter acesso às crianças.
“A mãe de uma das vítimas, de 9 anos, fazia faxina na casa dele. Ela deixava a criança com ele para ir trabalhar. Outra vítima, de 12 anos, era filha de uma amiga dele. Ele achou a criança bonita e começou a ameaçar, dizendo que ia mandar o tráfico matá-la. Ele pedia para ela chorar porque ele sentia mais prazer. E as vítimas não revelavam para a genitora porque ele as ameaçava”, contou a delegada.
A outra vítima é uma criança de 12 anos, que foi abusada por meses e só teve coragem de contar à madrasta, quando foi para a casa dela no interior do Estado. Segundo a Polícia Civil, exames constataram que a menina foi estuprada.
Neste caso, o investigado também fez ameaças à mãe da vítima, alegando que chamaria traficantes para assassiná-la. A delegada revelou ainda que o abusador questiona a vítima se ela gostava de homens, já que ela havia chorado durante o estupro.
“Neste caso, os abusos perduraram por meses. O investigado inventou para a mãe da vítima que a levava para fazer natação, mas, na verdade, cometia os crimes. Ele tem essa fórmula de ganhar amizade da família para deixar a criança ir para a casa dele”, destacou.
O delegado Marcelo Cavalcanti, chefe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), alertou pais e responsáveis sobre a importância de acreditar nos relatos das vítimas e denunciar qualquer suspeita de abuso.
“Esses crimes acontecem, e muitas vezes os responsáveis, que têm a obrigação de proteger a criança, não acreditam na vítima. Ela costuma dar sinais, como mudanças no comportamento, dificuldade para falar sobre o assunto e isolamento. A partir de uma única denúncia, identificamos quatro casos. Por isso, sempre denunciem, seja pelo Disque 100, pelo Disque-Denúncia 181 ou diretamente em uma delegacia”
O nome do investigado e do bairro em que ocorreu a prisão não foram divulgados para preservar a identidade das vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Investigação da Polícia Federal
Além dos casos registrados na Grande Vitória, o suspeito é investigado pela Polícia Federal após a denúncia de uma vítima que reside em Minas Gerais. O homem utilizava um perfil falso nas redes sociais, com nome feminino e idade de 16 ou 17 anos, e convencia as vítimas a enviarem fotos íntimas.
Uma delas, de 12 anos, informou que pararia de enviar as mídias e o suspeito ameaçou postar as fotos já enviadas.
O titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Marcelo Cavalcanti, fez um alerta aos pais de crianças e adolescentes:
“Esses crimes acontecem e os responsáveis, que têm obrigação de proteger, não acreditam na vítima. E a vítima dá sinais, como perda de fala e convivência. Com uma única denúncia, resolvemos quatro casos policiais. Então, sempre denunciem, com Disque 100 ou 181 ou até na própria delegacia.”
Por Caroline Freitas / Rede Gazeta




